Sistema de Gestão – 5 novidades nas ISO 14.001, 9.001 e 45.001

Tempo de leitura: 5 minutos

Quem já trabalha com sistema de gestão baseado nas famílias ISO já percebeu que desde 2015 as normas vêm sofrendo algumas mudanças significativas.

Nós podemos perceber a aplicação do ciclo PDCA pela própria ISO na elaboração das normas. A ISO planeja como será a estrutura e a aplicação de uma norma; em seguida, publica a norma para que as empresas a utilizem; através das auditorias, avalia a aplicabilidade das normas nas empresas e, com isso, há condições de melhorá-las a cada nova versão.

Neste artigo nós vamos tratar de algumas das novas mudanças, começando pelo novo Anexo SL.

Sistema de Gestão – Introdução

1 - O QUE É O ANEXO SL?

Como se sabe, há uma tendência natural de integrar alguns sistemas de gestão, pelas suas similaridades e interdisciplinaridade. O anexo SL é uma iniciativa para facilitar a integração dos sistemas de gestão. Trata-se de um modelo base para um sistema de gestão genérico.

A estrutura do anexo SL é a seguinte:

  1. Escopo
  2. Referências Normativas
  3. Termos e definições
  4. Contexto da Organização
  5. Liderança
  6. Planejamento
  7. Apoio
  8. Operação
  9. Avaliação de Desempenho
  10. Melhoria

Estes tópicos são idênticos em todas as normas que têm o anexo SL como base. Particularidades são tratadas em subtópicos, os quais podem ser diferentes em cada norma.

A ISO 9.001:2015 e a ISO 14.001:2015 possuem a estrutura baseada neste modelo e, com certeza, a futura ISO 45.001 (substituta da OHSAS 18.001) também possuirá.

2 – LIDERANÇA EM FOCO

O papel da liderança nas novas versões é mais enfatizado. O que antes poderia facilmente ser delegado a uma equipe de gestão, agora deve ter a participação mais ativa da alta liderança da empresa, garantindo que ela seja mais ciente das ações de gestão e realize maiores intervenções.

É interessante notar que não há exigência de registros para evidenciar o comprometimento da alta liderança.

Este item é auditado, basicamente, de forma verbal. O auditor percebe este comprometimento, por exemplo, analisando se o auditado conhece a linguagem da norma (o famoso “normês”), ou se o líder é ciente do sistema. Um líder que, quando questionado, sempre “passa a bola” para um integrante da equipe de gestão, principalmente em questionamentos triviais, não transparece familiaridade com o sistema de gestão.

Por isso, não vá achando que aquelas velhas atas de reunião de análise crítica com a assinatura do líder serão suficientes para demonstrar sua participação.

 

3 – PENSANDO NO RISCO

Profissionais de Segurança do Trabalho e de Meio ambiente já são familiarizados com esta mentalidade. Este conceito não é exatamente uma novidade na ISO 9.001:2015, pois era algo mais implícito nas versões anteriores, mas agora é bem evidenciado.

A mentalidade de risco é diretamente associada à gestão dos riscos, ou seja, anteceder quais os riscos inerentes às atividades e quais as medidas de controle que podem ser adotadas. Isto não te lembra de alguma coisa? APR? AIA?

Pois é. Os riscos não são somente ligados à segurança do trabalhador ou à contaminação do meio ambiente.

Por exemplo:

- A utilização de uma matéria prima mais barata pode comprometer completamente a qualidade de um produto?

- Responder às reclamações dos clientes com atraso pode prejudicar a empresa de alguma forma?

- Há mudanças de tecnologias no mercado que podem afetar diretamente o negócio da empresa?

As normas incitam a empresa a refletir mais sobre estes riscos.

4 – DOCUMENTO ESCRITO?

Fonte: guidingemployers.wordpress.com

Outra novidade das novas versões das normas é a maior flexibilidade na exigência de documentos escritos. Inclusive, a nomenclatura foi modificada. Termos como “documentos” ou “procedimentos documentados” foram substituídos por “manter informação documentada”; já os antigos “registros” são tratados agora como “reter informação documentada”.

Por exemplo, não existe mais a obrigatoriedade da manutenção do Manual da Qualidade.

Ora, se pensarmos que muitas empresas elaboravam e mantinham procedimentos apenas para apresentar em auditorias, esta flexibilidade da norma é algo muito positivo, pois evita a manutenção do documento inútil.

É importante saber que, mesmo que a norma não exija documentos escritos, a empresa pode adotá-los quando lhe convier. Muitas empresas estão acostumadas a manter documentos e, mesmo que a norma não mais os exija, eles podem continuar sendo utilizados.

 

5 – CICLO DE VIDA (ISO 14.001)

O item 6.1.2 da ISO 14.001:2015 diz que a organização deve determinar os aspectos ambientais e seus impactos associados, considerando uma perspectiva de ciclo de vida.

O ciclo de vida de um produto são todos os estágios de sua existência, desde sua geração até sua disposição final.

Pode parecer trabalhoso demais analisar a vida inteira de um produto, mas a norma não exige um documento extenso com uma avaliação detalhada de cada minuto de existência deste produto. A ideia é avaliar com um pouco mais de atenção quais estágios da vida deste produto podem ser influenciados pela empresa.

Prestando atenção nestas dicas você terá mais facilidade para garantir o atendimento aos requisitos normativos!

 

VOCÊ SABIA?

As letras "SL" do anexo não formam uma sigla!

Eu mesmo cheguei a pensar que se tratava de uma sigla para “Standard Language” (linguagem padrão) ou algo parecido.

Porém, o “SL” é apenas uma identificação sequencial do anexo, que faz parte do documento “ISO/IEC Directives, Part 1 ‘Consolidated ISO Supplement – Procedures specific to ISO’”. O anexo anterior a ele é o “SK” e o posterior é o “SM”.

2 Comentários


    1. Muito obrigado, Rômulo.
      Espero que nosso conteúdo te ajude em sua demanda!

      Abraço

      Responder

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