Custos de Acidentes de Trabalho – O que são e como calcular?

Tempo de leitura: 8 minutos

Quanto custa um acidente de trabalho?

Se você é profissional de segurança do trabalho, pode ter certeza que a resposta a essa pergunta é um “trunfo”.

Com ela, você será capaz de conseguir mais investimentos em prevenção junto ao seu chefe e os resultados em segurança do trabalho serão mais evidentes.

Isso porque você estará falando na língua mais compreendida entre os empresários: dinheiro.

Portanto, se você quer ter mais poder de persuasão junto ao seu chefe, acompanhe este artigo até o final. Nele, vou mostrar-lhe:

  • O que são Custos de Acidentes de Trabalho;
  • Qual a importância de levantar os custos de acidentes de trabalho em sua empresa;
  • Quais custos de um acidente de trabalho;
  • Como calcular os custos de um acidente de trabalho;

No final, apresentaremos uma tabela de custos que o permitirá calcular os custos de acidentes de trabalho em sua empresa.

Se você se interessa por esses assuntos, fica comigo até o final deste artigo.

O que são custos de acidentes de trabalho?

De antemão, é preciso esclarecer que o custo de acidente de trabalho é o prejuízo financeiro que a empresa tem decorrente de um acidente de trabalho.

Todo e qualquer acidente, independente de sua gravidade, gera prejuízos para empresa. Nos próximos tópicos vou mostrar-lhe quais são esses prejuízos.

Qual a importância de levantar os custos de acidentes de trabalho em sua empresa?

Se você é profissional de segurança do trabalho, o levantamento de custos de acidentes de trabalho é fundamental para você se tornar um profissional destacado. Ele o permitirá:

  • Mostrar à empresa os prejuízos decorrentes da falta de prevenção;
  • Comparar os custos de acidentes com os custos de prevenção (aqueles associados às ações de implantação de medidas de controle);
  • Buscar mais apoio para implantação das medidas preventivas;
  • Controlar melhor os custos da empresa

Quais os custos de acidentes de trabalho?

Acidentes de trabalho geram custos (prejuízos financeiros) para o empregado, para a empresa e para a sociedade.

Neste artigo, vamos conversar sobre os custos para a empresa, mas não vamos levar em consideração os custos para a sociedade. Em outra oportunidade conversamos sobre isso.

Para começar, vamos fazer um estudo de caso:

Imagine que, durante a operação de uma ponte rolante, um cabo se rompa e a carga de 3 toneladas despenque sobre um conjunto de equipamentos. Estilhaços são projetados e um deles atinge a cabeça do operador, causando sangramento e levando o mesmo ao desmaio.

A equipe de socorristas presta os primeiros socorros à vítima, que é encaminhada ao hospital mais próximo pela ambulância da empresa.

O grave acidente causa grande comoção nos funcionários que, preocupados, buscam incessantemente informações sobre o companheiro acidentado.

Uma equipe multidisciplinar, composta por Técnicos e um Engenheiro de Segurança do Trabalho, funcionários do setor, gerentes, coordenadores e cipeiros é acionada para analisar as causas do acidente.

Devido à investigação e à manutenção, a ponte rolante ficou interditada por 2 dias, o funcionário permaneceu afastado por 30 dias e perdeu a visão de um dos olhos.

Analisando este estudo de caso, quais os custos de acidentes podemos levantar?

Vamos tentar fazer uma abordagem cronológica desde o sinistro.

  • Custo decorrente da parada da produção;
  • Custos de materiais usados para primeiros socorros ao acidentado;
  • Despesas com transporte do acidentado;
  • Custos da diminuição da produtividade da equipe de trabalho devido ao impacto psicológico;
  • Despesas com reparo, substituição de peças da ponte rolante;
  • Prejuízo material dos equipamentos danificados
  • Horas de trabalho despendidas pelos supervisores e por outras pessoas na ajuda ao acidentado e na investigação das causas do acidente;
  • Custo de afastamento do empregado com pagamento do seu salário integral durante os 15 primeiros dias de afastamento, sem ele estar trabalhando na empresa;
  • Possíveis despesas jurídicas com defesa da empresa, caso o empregado processe a empresa, solicitando indenização pelos danos e perda da visão;
  • Custos na seleção e preparo de novo empregado para operar a ponte rolante;
  • Horas extras pagas necessárias para suprir o atraso da produção;
  • Atraso no cronograma de produção e entrega de mercadoria.

Como pode ser visto, um acidente de trabalho gera vários custos e prejuízos para empresa.

Para evitar essa situação, a melhor prática é trabalhar com foco na prevenção, de forma a reconhecer todos os fatores de riscos e controlá-los, impedindo que acidentes se concretizem.

Quais medidas poderiam ter sido tomadas para evitar o acidente narrado?

Após investigação do acidente por uma equipe multidisciplinar, foram verificadas algumas não conformidades que resultaram no acidente. Foram elas:

  • Não foi identificado um plano de manutenção preventiva registrado em livro próprio.

Segundo os itens 12.111 e 12.112 a empresa deve ter a manutenção preventiva de seus equipamentos, planejadas e registradas em livros próprios como pode ser visto abaixo.

12.111 As máquinas e equipamentos devem ser submetidos à manutenção preventiva e corretiva, na forma e periodicidade determinada pelo fabricante, conforme as normas técnicas oficiais nacionais vigentes e, na falta destas, as normas técnicas internacionais.

12.111.1 As manutenções preventivas com potencial de causar acidentes do trabalho devem ser objeto de planejamento e gerenciamento efetuado por profissional legalmente habilitado.

12.112 As manutenções preventivas e corretivas devem ser registradas em livro próprio, ficha ou sistema informatizado, com os seguintes dados: a) cronograma de manutenção; b) intervenções realizadas; c) data da realização de cada intervenção; 16 d) serviço realizado; e) peças reparadas ou substituídas; f) condições de segurança do equipamento; g) indicação conclusiva quanto às condições de segurança da máquina; e h) nome do responsável pela execução das intervenções.

  • Não havia inspeção rotineira antes da operação da ponte rolante.

Segundo o item 12.131 da NR 12, “Ao início de cada turno de trabalho ou após nova preparação da máquina ou equipamento, o operador deve efetuar inspeção rotineira das condições de operacionalidade e segurança e, se constatadas anormalidades que afetem a segurança, as atividades devem ser interrompidas, com a comunicação ao superior hierárquico.”

O operador afirmou não conhecer essa obrigatoriedade e a empresa não apresentou procedimentos, ordens de serviço ou instrução de trabalho que orientassem-no da necessidade da inspeção rotineira.

O fato descumpre, também a determinação do item 11.1.3.1 da NR 11 (TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE MATERIAIS), que afirma:

11.1.3.1 Especial atenção será dada aos cabos de aço, cordas, correntes, roldanas e ganchos que deverão ser inspecionados, permanentemente, substituindo-se as suas partes defeituosas.

  • Ausência de áreas exclusivas para circulação de cargas suspensas.

Segundo os itens 12.93 e 12.93.1 deve-se priorizar a existência de áreas exclusivas devidamente delimitadas e sinalizadas para a circulação de cargas suspensas.

12.93. Durante o transporte de materiais suspensos devem ser adotadas medidas de segurança visando a garantir que não haja pessoas sob a carga.

12.93.1 As medidas de segurança previstas no item 12.93 devem priorizar a existência de áreas exclusivas para a circulação de cargas suspensas devidamente delimitadas e sinalizadas.

E você...consegue enxergar outras oportunidades de melhorias que poderiam evitar este acidente? Deixe sua ideia nos comentários deste artigo.

Diante do exposto é possível concluir que simples mecanismos de gestão poderiam evitar o acidente.

Com um treinamento adequado aos operadores, inspeção rotineira dos equipamentos e plano de manutenção preventiva, a empresa poderia ter identificado anomalias na operação da ponte rolante e reparado com antecedência. Além disso, a delimitação de área exclusiva para operação de cargas suspensas poderia evitar que equipamentos fossem danificados e estilhaços atingissem o operador.

Deixamos a reflexão:

O que custa mais caro? Executar o plano de manutenção e treinar os funcionários a executarem inspeção rotineira? Ou pagar por todos os custos acidentários acima expostos?

Uma gestão focada na prevenção economiza dinheiro e aumenta a produtividade!!

Como calcular os custos de acidentes de trabalho?

A NBR 14280, “Cadastro de acidentes de trabalho - Procedimento e classificação”, apresenta um modelo de tabela para cálculo dos custos de acidentes.

Tomando como base as informações presentes nesta norma, nós replicamos a tabela e uma planilha que pode ser acessada clicando neste link. (Clique Aqui). A planilha servirá de guia para calcular os custos de acidentes de trabalho em sua empresa.

Acesse a planilha e comece a utilizar no seu trabalho. Com ela, você terá fortes argumentos para reivindicar orçamento para ações preventivas de segurança do trabalho.

Chegamos ao final de mais um artigo. Se você gostou:

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Grande abraço e até próximo artigo.

 

2 Comentários


  1. A Diretoria da empresa deve ser a maior aliada da equipe de SST. Então é fundamental conhecer os custos de acidentes para oferecer soluções funcionais. O Diretor verá, assim, o valor do profissional de segurança e certamento apoiará seus projetos e propostas.

    Responder

    1. Isso mesmo, Carlos Eduardo!
      O sucesso está nas mãos da equipe de segurança. Ela tem que ser convincente, utilizando de argumentos técnicos e econômicos.
      Se a Diretoria enxergar a importância, com certeza ela dará o apoio necessário.
      Grande Abraço

      Responder

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