Como descartar extintores e seus componentes?

Tempo de leitura: 6 minutos

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Quer dizer que você precisou, de alguma maneira, utilizar um extintor de incêndio, hein? Seja em uma situação emergencial ou em um simulado, ou mesmo em treinamentos, a pergunta que fica no final é: o que eu faço com o material que sobrou?

Talvez você nem tenha utilizado o extintor, mas pode ser que ele esteja deteriorado ou vencido.

Neste artigo nós vamos falar sobre o descarte de extintores e seus agentes (levando em consideração a lei 12305/10) principalmente os que mais causam dúvidas: os pós químicos.

Se precisar saber mais sobre a 12305/10, clique no artigo abaixo:

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Resíduos Sólidos – A lei 12.305 e o PGRS

COMPOSIÇÃO DOS EXTINTORES

Os extintores são desenvolvidos com base na NBR 15808. Veja abaixo as partes de um extintor genérico:

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Você pode perceber que há muitas partes metálicas no extintor. O cilindro geralmente é constituído por aço carbono, alumínio extrudado ou aço inoxidável austenítico. A válvula, por latão ou aço inoxidável austenítico.

Já a mangueira é constituída por plástico ou borracha, podendo ou não apresentar trama metálica.

Os agentes extintores, por sua vez, apresentam naturezas diversas: água, espuma, pó químico, CO2 ou Halon.

ALTERNATIVAS AO DESCARTE FINAL

Antes de falarmos sobre o descarte propriamente dito, é necessário lembrar que, de acordo com o artigo 9° da lei 12305/10, na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

Assim sendo, antes de descartar o extintor e seus agentes, você deve se certificar de que não há alternativa viável para destinação.

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NÃO GERAÇÃO E REDUÇÃO

As medidas de não geração e redução envolvem, principalmente, o bom uso dos equipamentos, evitando seu acionamento indevido, e realizando a manutenção adequada.

Lembrando que o acionamento indevido e a falta de manutenção, além de gerarem resíduos, também podem inutilizar o extintor em momentos de emergência.

REUTILIZAÇÃO

A reutilização é uma alternativa extremamente viável para extintores. Extintores vencidos ou usados podem ser recarregados por empresa com registro no INMETRO.

Esta também é uma alternativa para os agentes extintores!

Pó químico

De acordo com a Portaria INMETRO 005, de 04 de janeiro de 2011:

“5.3.6 Estes agentes extintores somente poderão ser reutilizados se forem conhecidas, inequivocamente, a sua procedência (fabricante e produto inibidor) e rastreabilidade, o atendimento à Portaria Inmetro vigente, não apresentarem aglomerados ou contaminações, e se a empresa de manutenção possuir sistema de envasamento a vácuo para carga e descarga de pó para extinção de incêndio novo ou reutilizado.

5.3.6.1 O reaproveitamento do agente extintor deve estar condicionado à observância dos seguintes requisitos:

a) O extintor de incêndio tenha sido originalmente lacrado de fábrica;

b) A última manutenção tenha requerido a abertura do extintor de incêndio e esta tenha sido realizada pela mesma empresa que está realizando a sua manutenção;

c) A empresa de manutenção possua certificado, fornecido pelo fabricante/importador do pó para extinção de incêndio a ser reaproveitado;

d) Que o prazo estipulado pela empresa de manutenção, para a próxima recarga, não ultrapasse o prazo de validade do pó para extinção de incêndio, que deve ser conhecido.”

Ou seja, a reutilização do pó só é possível em extintores que não foram utilizados (por exemplo, se o extintor estiver vencido). Em caso de combate a princípios de incêndio, o pó inevitavelmente ficará contaminado, e não poderá ser reutilizado para este fim.

Água

O caso da água é parecido. A Portaria INMETRO 005/11 exige que a água utilizada na recarga de extintores seja potável. Portanto, para que a mesma seja reutilizada, ela deve ser, no mínimo, tratada para atender a esta exigência (obviamente, se isto for economicamente viável).

CO2

De acordo com a Portaria INMETRO 005, de 04 de janeiro de 2011:

“5.4.5 O dióxido de carbono (CO2) envasado no extintor de incêndio poderá ser reaproveitado durante a manutenção do extintor de incêndio quando este ainda não tiver sido submetido a qualquer tipo de manutenção anterior, ou seja, o dióxido de carbono contido no extintor de incêndio foi envasado pelo próprio fabricante do extintor de incêndio, ou quando a empresa de inspeção e manutenção de extintor de incêndio que realizar a manutenção for a mesma que efetuou a anterior.”

Lembramos também que a reutilização pode extrapolar a extinção de incêndio. Por exemplo, o Bicarbonato de sódio, por ser um sal básico, pode ser utilizado para neutralizar alguns tipos de ácidos. Assim, ele pode ser armazenado em bombona para neutralizar um possível derramamento de ácido.

RECICLAGEM

Na hipótese do extintor estar danificado de tal forma que sua reutilização seja inviável, a melhor forma é desmontá-lo e enviar suas partes para a reciclagem. Os metais utilizados em sua composição possuem um bom valor agregado.

DESCARTE FINAL

O descarte final é recomendado quando nenhuma das alternativas anteriores são viáveis.

É muito improvável que os metais componentes do extintor não possam ser reciclados.

O processo de descarte final é aplicável aos agentes extintores que não podem ser reutilizados.

Os pós químicos, de acordo com a NBR 9695, podem possuir os seguintes inibidores:

- Bicarbonato de sódio (NAHCO3);

- Bicarbonato de potássio (KHCO3);

- Fosfato de monoamônio (NH4H2PO4).

Estes produtos isoladamente não são nocivos ao meio ambiente e podem ser descartados como resíduo classe II-A. Porém, no extintor, eles podem ser misturados a outros produtos, de acordo com o fabricante.

Assim sendo, o descarte deve levar em conta a composição do pó químico utilizado. Esta informação pode ser obtida através da FISPQ do extintor.

Não sabe o que é FISPQ? Então leia o artigo abaixo:

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Gestão de Produtos Químicos – FISPQ

Na própria FISPQ, no item 13, você já pode obter a resposta sobre como deve ser o descarte do produto. Porém, como já falamos em nosso artigo sobre FISPQ, nem sempre este documento apresenta informações completas.

Se a FISPQ do extintor que você adquiriu é incompleta, procure informações sobre os produtos que compõe o pó. Você pode, inclusive, procurar por FISPQs de produtos semelhantes.

Caso isto ainda não seja esclarecedor, você deve entrar em contato direto com o fabricante e solicitar maiores informações.

EM RESUMO

Existem alternativas muito mais viáveis para um extintor usado/vencido do que o descarte final. A recarga e a reciclagem são alternativas mais indicadas.

Se a sua única opção viável for realmente o descarte final, certifique-se de que o agente extintor pode ser disposto em lixo comum consultando sua FISPQ ou o fabricante.

4 Comentários


  1. Desculpem, mas falaram, falaram, falaram e não disseram o básico: onde descarto meu extintor vencido? Vou procurar em outro site….

    Responder

    1. Bom dia Guilherme.

      Desculpe se não ficou claro, mas apresentamos diversas alternativas no artigo:
      – recarga do extintor;
      – desmonte para envio das diferentes partes à reciclagem;
      – descarte final propriamente dito.
      Neste último caso, basta verificar qual o agente extintor e se o mesmo pode ser descartado em lixo comum.

      Farei uma revisão para tentar deixar isto mais claro.

      Obrigado pelo feedback!

      Responder

  2. Independente de qualquer categoria de reeuso ou reaproveitamento, a questão é: o ponto de distribuição ou fornecimento tem a obrigação de aceitar a devolução do extintor fora do uso a fim de realizar a destinação ou disposição final ambientalmente adequada ???????????

    Responder

    1. Bom dia, Alexi.

      De acordo com a lei 12.305/10, são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:
      – agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, ou em normas técnicas;
      – pilhas e baterias;
      – pneus;
      – óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;
      – lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;
      – produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

      Ou seja, não há esta obrigação para extintores.

      Responder

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