Espaço Confinado e Gases Industriais

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Diversos são os agentes ambientais presentes na indústria. Agentes físicos, químicos, biológicos são identificados, avaliados, quantificados e controlados por nós, profissionais de SMS, em nossas atividades.

Entretanto, neste rápido bate papo, vou destacar somente a probabilidade de associação entre gases, vapores e espaço confinado sem a intenção de esgotar o assunto.

Vamos lá!

GASES

Gases são compostos moleculares que possuem características tais como grande compressibilidade e capacidade de expansão. Estes compostos não possuem volume fixo e são miscíveis entre si, em qualquer proporção.

Alguns deles podem estar presentes em espaço confinado, potencializando o risco de acidentes graves. É importante conhecer as características dos gases, a consequência da exposição e quais medidas de proteção devem ser adotadas para prevenir os danos a eles associados.

Podemos classificar os gases, segundo sua ação no organismo, em:

  • Anestésicos;
  • Asfixiantes;
  • Irritantes.

Como gases anestésicos não são comuns no ambiente industrial, vamos aqui discorrer sobre asfixiantes simples, asfixiantes químicos e gases irritantes, e em seguida, sobre alguns dos gases que podem ser encontrados mais frequentemente em espaços confinados.

Asfixiantes Simples

São aqueles que não são tóxicos. O risco de exposição está na redução da concentração de oxigênio no local. Quanto maior a concentração destes gases no ambiente, menor a concentração de oxigênio. Reduzindo-se a concentração do oxigênio a níveis abaixo de 18% em volume, a consequência é a asfixia.

Em baixas concentrações os asfixiantes simples não são perigosos, desde que não sejam inflamáveis nem tóxicos.

Como exemplo de asfixiante simples podemos citar o metano que pode estar presente em espaço confinado. Os principais riscos do metano são a redução da concentração de oxigênio no ambiente e ser um gás extremamente inflamável. Assim, qualquer faísca pode causar um incêndio ou uma explosão. A exposição ao metano pode causar sonolência, perda de consciência e  expor o trabalhador aos riscos anteriormente descritos.

Como sua densidade é menor do que a do ar, o metano tende a concentrar-se em níveis superiores do ambiente.

Saiba mais sobre densidade neste artigo:

densidade
Gestão de Produtos Químicos - Conceito de Densidade

Asfixiantes Químicos

São substâncias tóxicas que agem no organismo reduzindo a capacidade de absorção do oxigênio que respiramos. Ao invadirem o ambiente, também deslocam o oxigênio e outros gases, reduzindo a concentração deles no ar. Mas essa não é a principal característica de atuação e sim sua toxicidade que interfere no transporte do oxigênio para os diversos órgãos e tecidos do corpo.

Entre os diversos asfixiantes químicos que podem estar presentes em espaço confinado, destacamos o monóxido de carbono (CO) e o sulfeto de hidrogênio (H2S).

Monóxido de Carbono

O monóxido de carbono apresenta alta toxicidade podendo levar à morte em concentrações de 1% em volume ou menos.

É obtido pela queima incompleta de qualquer material que possua carbono em sua composição: gasolina, madeira, gás natural, carvão e diversas substâncias comuns em nosso dia a dia.

Como é um gás incolor, inodoro, insípido, não irritante e altamente tóxico, é conhecido como "assassino silencioso" e dificilmente é detectado sem medições ambientais.

Sua densidade é próxima à densidade do ar (0,9676). Assim, distribui-se uniformemente no ambiente e, por ser inodoro, somente pode ser detectado por equipamentos detectores. (Fonte:OSHA)

Sulfeto de Hidrogênio

O sulfeto de hidrogênio possui alta densidade (1,189) acumula-se nas partes baixas do ambiente. Apresenta ação rápida e violenta, o que impede a entrada para resgate sem que se esteja devidamente equipado.

O sulfeto de hidrogênio pode causar a morte em poucos segundos. Como possui forte odor de ovos podres, poderia ser identificado pelo olfato. Mas não se pode contar com isso pois apresenta alta toxicidade e, portanto, não deve ser inalado. Também, quando em concentrações mais elevadas, o organismo perde a capacidade olfativa o que impossibilita detectar sua presença antes que seja tarde demais.

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Olhos irritados (fonte: www.allaboutvision.com)

Em pequenas concentrações causa irritação aos olhos, nariz, garganta e sistema respiratório: sensação de queimação nos olhos e lacrimação, tosse e falta de ar.

A exposição prolongada a baixas concentrações pode causar inflamações nos olhos, dores de cabeça, fadiga, irritabilidade, insônia, distúrbios no sistema digestivo e perda de peso.

Concentrações maiores ou iguais a 100 ppm de Sulfeto de Hidrogênio são consideradas pela OSHA como Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde (IPVS). (Fonte:OSHA)

Quer saber mais sobre a OSHA? Então leia este artigo:

OHSAS x OSHA
OHSAS ou OSHA: qual a diferença?

GASES IRRITANTES

Agem principalmente quando em contato com os olhos, a pele e o sistema respiratório e o resultado desse contato é a queimadura química. Mesmo a exposição a baixas concentrações pode provocar edemas nas vias respiratórias e olhos, dependendo do tempo de exposição ao agente. Pela sua característica agressiva, são facilmente percebidos, pois essa irritação é indicativo de que já há dano para o organismo.

A amônia, amplamente utilizada como gás de refrigeração na indústria, é exemplo de gás irritante.

Amônia

A amônia é amplamente utilizada em sistemas de refrigeração sob a forma líquida ou gás incolor com graus de pureza iguais ou acima de 99,95%. Os efeitos da exposição a este gás são limitados à irritação e aos danos corrosivos severos que ele causa afetando principalmente os olhos, pulmões e a pele.

Em contato com os olhos, os efeitos vão desde pequenas irritações à destruição dos olhos, dependendo do tipo de exposição – ao gás ou a um spray de um vazamento de amônia. Ela possui alto poder de penetração nos olhos, agindo muito rapidamente.

Em contato com os pulmões, destrói os delicados tecidos do trato respiratório causando crises fortíssimas de tosse, respiração dificultada ou dolorosa, congestão pulmonar e morte.

Os danos à pele dependem do tempo de exposição e da concentração variando desde leves irritações até graves queimaduras químicas. A inalação a estas concentrações é letal.

Devido ao fato de ser menos denso que o ar (0,597), o gás amônia tende a acumular-se nos níveis superiores do ambiente.

ESPAÇO CONFINADO

Por definição, o subitem 3.18 da NBR 14.787 e o subitem 33.1.2 da NR-33, consideram espaço confinado o local que apresenta, simultaneamente, três características:

1 - ambiente não projetado para ocupação humana contínua;

2 - ambiente com meios limitados de entrada e saída,

3 - ambiente cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir deficiência/enriquecimento de oxigênio.

Outras características podem associar-se a estas, elevando em muito o risco de acidente e/ou intoxicação nesses locais.

medicao-espaco-confinadoCaso não haja simultaneidade entre as três primeiras características inicialmente descritas, o local pode ser descaracterizado como espaço confinado. Isso não quer dizer que medidas de prevenção sejam menos rigorosas neste caso. A análise de risco adequada e minuciosa irá estabelecer o nível de ações necessárias à execução segura de atividades nesses locais.

Com inúmeros outros gases que podem estar presentes em espaço confinado, é impossível saber quantos estão presentes e qual sua concentração sem realizar medições. E, independente do resultado das medições, este é apenas um dos procedimentos de segurança que, obrigatoriamente, devem ser seguidos: é necessário seguir rigorosamente todas as determinações estabelecidas pela NR-33.

Caso contrário, qualquer acidente que ocorra nesses ambientes  pode resultar em fatalidade.

Artigo escrito e gentilmente cedido por Raul Contrucci Montaño - Engenheiro de segurança do trabalho.

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