Como escolher luvas de borracha

Tempo de leitura: 7 minutos

luva-de-borrachaCerta vez acompanhei um trabalho de isolamento em que as estruturas eram unidas por um tipo de cola. Os funcionários, porém, reclamavam que a luva de borracha que estavam usando estava sendo dissolvida pela cola e, quando o produto entrava em contato com a pele, causava intensa irritação.

Na época achei estranho e comecei a me perguntar qual o tipo de luva seria ideal, senão a de borracha.

Estudando o assunto, descobri que existem diferentes tipos borracha para a fabricação destas luvas. A luva que estava sendo utilizada na colagem era de PVC, sendo que a apropriada era a luva de látex. Para minha surpresa, quando fizemos a alteração, a luva de látex se mostrou eficaz na proteção contra aquele agente.

Para você que acha que as luvas de borracha são todas iguais, saiba que não são! Cada uma possui peculiaridades que as tornam próprias para trabalhos específicos.

Neste artigo vamos falar sobre algumas luvas de borracha e vamos te mostrar para quais tipos de produtos elas são apropriadas. Também falaremos sobre a forma de higienização, o tempo de duração e o descarte das mesmas, além de algumas dicas sobre como escolher a melhor luva para sua atividade.

CARACTERÍSTICAS

Antes de falar sobre os materiais componentes, vamos fazer uma breve abordagem sobre algumas características das luvas de borracha.

luvas-caracteristicas

TIPOS DE LUVAS DE BORRACHA POR COMPOSIÇÃO

Existem vários tipos de luvas, mas aqui trataremos das mais comuns. Não falaremos de luvas de empresas específicas.

Látex - também conhecido por borracha natural. As luvas de látex oferecem conforto, flexibilidade, maleabilidade, sensibilidade tátil e resistência a mudanças de temperatura.

Uma grande desvantagem é o fato de o látex poder causar reações alérgicas, o que muitas vezes exige a escolha de materiais hipoalergênicos.

Borracha butílica - Hipoalergênica, é considerada uma borracha para aplicações especiais por possuir grande resistência à permeação de gases e vapores de água.

Também possui grande resistência à oxidação, corrosão pelo ozônio e abrasão, além de se manter flexível a baixas temperaturas.

Pode variar em diferentes aspectos como composição e estabilização. Recomendada para o manuseio de diversas substâncias tóxicas.

Borracha Nitrílica - Borracha sintética derivada da acrilonitrila e butadieno, também é hipoalergênica. Com ótima elasticidade e resistência, sua propriedade mais marcante é a resistência ao óleo mineral e gordura animal, além de outros produtos, como bases e combustíveis.

Neoprene - O neoprene é uma borracha sintética obtida pela polimerização do policloropreno. Possui elasticidade e destreza semelhantes ao látex, mas é mais resistente à degradação, além de apresentar resistência a uma ampla variedade de produtos químicos. É hipoalergênico.

PVC - O policloreto de vinila, uma mistura derivada de cloro e petróleo, é uma das matérias primas de menor custo, e possui excelente resistência química e resistência à abrasão.

No link abaixo nós disponibilizamos um guia de resistência química dos materiais constituintes das luvas para facilitar sua escolha.

guia-de-resistencia-quimica
Guia de resistência química

HIGIENIZAÇÃO DAS LUVAS DE BORRACHA

capelaLuvas descartáveis, como o próprio nome já diz, não devem ser higienizadas, e sim descartadas imediatamente após seu uso.

As luvas reutilizáveis podem ser higienizadas para garantir sua conservação por mais tempo. Porém, é importante avaliar a real necessidade e possibilidade da higienização da luva.

Por exemplo, dependendo do material da luva, o produto químico pode permear, ou seja, passar entre as moléculas da luva e atingir a pele. A higienização deste tipo de luva deve ser avaliada considerando esta característica.

Use o bom senso.

Trabalhos com cimento, por exemplo, exigem a lavagem da luva, pois o produto ao secar inviabilizará o reuso da mesma.

Já em trabalhos laboratoriais, onde a luva será usada para um produto específico, em local controlado, é possível retirar as luvas e pendurá-las pelo punho, de forma que o produto escorra por ela sem a necessidade de lavá-la. É claro que este procedimento deve ser conhecido por todos os usuários, que deverão atentar para não entrar em contato com a área da mão da luva no calçamento.

De maneira geral, a higienização de luvas deve ser realizada com sabão neutro e água corrente em temperatura natural, por 10 minutos. As luvas devem estar calçadas durante sua higienização. A secagem deve ser realizada pendurando-se as luvas pelos punhos.

DESCARTE DAS LUVAS DE BORRACHA

As luvas devem ser descartadas de acordo com seu uso. Luvas que não entraram em contato com agentes perigosos podem ser descartadas em lixo comum.

Luvas contaminadas, por sua vez, devem seguir descarte específico, dependendo da natureza do produto. Por exemplo, luvas que entraram em contato com patógenos devem ser descartadas como resíduo infectante, e encaminhadas para incineração.

O descarte das luvas deve ser previsto no PGRS ou no PGRSS da empresa.

Saiba mais sobre estes importantes Planos nos artigos abaixo:

pgrs
Resíduos Sólidos – A lei 12.305 e o PGRS
PGRSS
Resíduos Sólidos – Serviços de Saúde e o PGRSS

QUANTO TEMPO DURA UMA LUVA?

Esta é mais uma daquelas perguntas sem uma resposta definida. É muito difícil de mensurar a durabilidade de uma luva, pois não existem provas objetivas ou normas que definam quando é necessária a sua substituição. Além disso, a aplicação, o modo de utilização e os cuidados com a luva são fatores que influenciam em sua durabilidade.

Por isso, é sempre importante realizar a inspeção visual da luva antes de usá-la, mesmo quando ela for nova.

Se possível, encha a luva com água, pressione o punho e arraste a água do interior em direção aos dedos para verificar a presença de aberturas.

A presença de defeitos, rasgos, pontos de fragilidade ou qualquer tipo de infiltração, são sinais de que a luva deve ser substituída.

DICAS PARA ESCOLHA DA LUVA ADEQUADA

Tipo de trabalho

É importante saber qual a característica da luva a ser usada para o seu trabalho. É necessária grande aderência? É mais importante a sensibilidade tátil? O trabalho exige a troca frequente de luvas? Todos estes fatores devem ser levados em consideração na escolha da luva.

Identifique o perigo

A luva será utilizada para manipular material biológico? Produtos químicos? Necessita grande resistência?

No caso de produtos químicos, verifique sempre a FISPQ para saber sua composição e compará-la com a lista de compatibilidade que disponibilizamos acima.

Saiba mais sobre a FISPQ neste artigo:

fispq
Gestão de Produtos Químicos – FISPQ

Determine se o contato é prolongado ou incidental

Haverá manipulação direta do material ou é necessária apenas proteção contra respingos? Dependendo do tipo de exposição, você pode utilizar luvas mais baratas, que oferecem a proteção adequada.

Certifique-se de que a luva possui CA

Utilize apenas luvas aprovadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego. No caso de luvas para serviços de saúde, as mesmas devem possuir cadastro segundo a Resolução da Diretoria Colegiada ANVISA 55/11.

Nós ficamos por aqui. Deixe seu comentário caso ainda haja alguma dúvida. Até a próxima!

Para refletir:

Segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho – AEAT 2014, do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS), aproximadamente 25% dos acidentes de trabalho ocorridos de 2012 a 2014 atinge as mãos do trabalhador.

4 Comentários


    1. Muito obrigado, Eloisa. Continue acompanhando nossos artigos!

      Responder

  1. Ótimo artigo e ótimo pdf de compatibilidade dos produtos químicos com as luvas, parabéns e obrigada!
    Trabalho em uma Indústria Química, mais especificamente no depósito. Os trabalhadores utilizam luvas nitrílicas diariamente mas recebo reclamações de que ela é incômoda durante o processo de etiquetagem, uma vez que as etiquetas grudam na luva e acabam rasgando a mesma. Você teria alguma sugestão de que outra luva poderia ser usada? Não há manipulação nem fracionamento do produto químico, utilizamos como prevenção no caso de uma avaria ou acidente com o frasco.

    Obrigada e parabéns novamente pelos ótimos materiais que disponibiliza!

    Responder

    1. Bom dia, Bárbara.

      Que bom que gostou do nosso material.

      Sobre sua situação, recomendo realizar uma avaliação mais detalhada da atividade. Analise a APR dela e veja com a pessoa que a elaborou qual a real necessidade do uso da luva no processo de etiquetagem.
      O produto é nocivo? Existe grande chance de ele vazar da embalagem e entrar em contato com a pele? Existe algum registro de acidente relacionado ao contato com o produto durante o processo de etiquetagem? Se a resposta a estas perguntas for negativa, talvez seja hora de vocês atualizarem a APR, pois a luva acaba se tornando mais um incômodo do que um fator de segurança.
      Se a luva for realmente necessária, vocês devem chegar a um consenso quanto à sua utilização. Existe uma forma alternativa de aplicação das etiquetas? Talvez com o uso de um dispositivo. Você pode entrar em contato com algum fabricante de luvas e solicitar esclarecimentos sobre alguma luva apropriada para esta atividade. Com certeza vocês não são a única empresa com este problema e talvez o fabricante de luvas já possua uma solução para isto.

      Espero ter ajudado.

      Grande abraço.

      Responder

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