Primeiros Socorros – O que todo profissional de SST deve saber

Tempo de leitura: 10 minutos

Primeiros Socorros são os cuidados imediatos que devem ser prestados a uma vítima de acidentes. Quando o acidente é decorrência do exercício laboral, diz-se que a vítima é de acidente de trabalho.

Os primeiros socorros visam resguardar o acidentado, evitando que haja piora de seu quadro clínico, enquanto se espera a chegada do atendimento especializado.

São 3 objetivos básicos do atendimento de primeiros socorros:

  • Manter contato com o serviço especializado de emergência, munindo-os de informações precisas e relevantes sobre o acidente e acidentado;
  • Evitar agravamento da situação do acidentado;
  • Manter sinais vitais do acidentado.

Algumas características dos socorristas são fundamentais para se atingir os objetivos. Eles devem ter calma, serenidade, auto-controle e controle das pessoas que se aproximem. Devem ter liderança sob os demais, passar confiança, ter uma abordagem tranquila para não deixar o acidentado nervoso, e o mais importante, conhecer as práticas de primeiros socorros.

ATENÇÃO: Se você não é treinado em prática de primeiros socorros, você deve isolar a área, proteger o acidentado de novos riscos, ligar para o serviço especializado de emergência ( SAMU-192 / Bombeiros-193) e seguir as orientações passadas pela equipe.

 

Primeiros Socorros: Etapas a serem seguidas

Os socorristas devem cumprir as seguintes etapas nos primeiros socorros:

Primeiros socorros - etapas

Etapa 1: Avaliação do local do acidente

Nesta etapa, o socorrista deve coletar o máximo de informações do local do acidente para entender como o ocorreu. Devem-se avaliar o ambiente de trabalho, os equipamentos, as ferramentas, as condições em que acontecia o trabalho, a presença de perigos associados.

Os perigos identificados devem ser eliminados de forma a proteger o acidentado e o socorrista. Deve-se sinalizar a área do acidente e isolá-la para evitar a aproximação de curiosos que possam atrapalhar o socorro.

Etapa 2: Avaliar o estado geral do acidentado

Após garantir a sua segurança e a do acidentado, o socorrista deve avaliar o acidentado. O socorrista deve verificar:

  • Estado de consciência: Pode perguntar ao acidentado seu nome, idade, se ele sente dor, ou pedir que ele faça algum movimento específico;
  • Respiração: Pode avaliar se há os movimentos torácicos e abdominais relativos à respiração (subida e descida do tórax);
  • Pulso: Identifica a presença do bombeamento cardíaco. Pode aferir o pulso carotídeo, pulso radial, femoral, umeral e outros;
  • Hemorragia: deve-se avaliar a presença de sangramentos.
  • Temperatura corpórea
  • Pupilas: deve-se verificar o estado de dilatação e simetria.

A partir da avaliação do estado geral do acidentado, devem-se definir as ações a serem tomadas.

É recomendável que o socorrista siga as diretrizes de Suporte Básico à Vida definidas pela American Heart Association (AHA), cujo guia, atualizado em 2015, de conduta para suporte básico à vida pode ser baixado neste link.

ATENÇÃO: Recomendamos, fortemente, o estudo do material da American Heart Association apresentado e disponível para download neste link (Clique Aqui).

Vamos detalhar este assunto na etapa 4. Acompanhe-nos até o final.

Etapa 3: Manter contato com o serviço de emergência

Ao acionar o serviço de atendimento especializado, é fundamental que se passem as informações precisas, de forma clara e sem nervosismo. É a partir das informações prestadas que a equipe especializada vai se planejar para atuar quando chegar no local de socorro.

Por isso, a importância de se fazer as etapas 1 e 2 antes de se fazer a ligação. Neste momento, identificada a necessidade de Reanimação Cardiopulmonar (RCP), deve-se solicitar à equipe de emergência o DEA (Desfibrilador automático externo). 

É importante frisar que as etapas 1 e 2 devem ser feitas com brevidade e precisão para que o socorro seja acionado o mais rápido possível.

Na empresa, assim que acontecer o evento, deve-se acionar o SESMT (Serviço Especializado em Engenharia e Medicina do Trabalho) para que se faça cumprir o Plano de Atendimento a Emergências (PAE) da empresa.

Etapa 4: Monitorar e manter os sinais vitais do acidentado

Após serem feitas a avaliação do local do acidente, a avaliação do estado geral do acidentado e ter acionado o suporte especializado, é preciso manter os sinais vitais do acidentado, enquanto a equipe especializada não chega.

Os sinais vitais indicam o grau de funcionamento de funções essenciais para manter o acidentado vivo. Algumas funções vitais são a atividade cerebral, a atividade cardíaca e a atividade respiratória.

Essas três funções vitais possuem uma grande interdependência. A atividade cerebral comanda o funcionamento de todo o corpo humano e precisa que sangue rico em oxigênio chegue ao cérebro. Para o sangue enriquecer-se de oxigênio, precisa que o acidentado esteja respirando, e para que o sangue chegue ao cérebro, é preciso que o coração esteja funcionando.

Assim, o socorrista, a fim de certificar-se quanto às funções vitais da vítima, deve observar, prioritariamente, acima de qualquer outra iniciativa:

  • Estado de consciência do acidentado (Perda dos sentidos)
  • A falta de respiração
  • Falta de circulação (pulso ausente)
  • Hemorragia abundante

Ao identificar alteração nesses quadros, o socorrista deve intervir imediatamente.

É fundamental que durante todo o período dos primeiros socorros, até a chegada da equipe médica especializada, o acidentado seja observado e monitorado quanto aos seus sinais vitais.

A American Heart Association orienta as ações de acordo com o fluxo apresentado abaixo:

Avaliação do estado de consciência do acidentado

A avaliação do estado de consciência do acidentado deve ser iniciada com a aproximação do socorrista pelo lado em que a cabeça da vítima esteja virada (para evitar que a vítima mexa a cabeça), olhando no olho da vítima.

Em seguida, o socorrista deve buscar conversar com a vítima, solicitando seu nome e idade, bem como, explicação de como aconteceu o acidente.

Caso a vítima responda falando, é uma indicação que ela está consciente e com vias aéreas desobstruídas. Deve-se ligar para o socorro e explicar a situação da vítima e do acidente, em seguida monitorar a vítima.

Caso a vítima não responda, deve-se fazer um estímulo doloroso na vítima e esperar alguma reação. Caso não haja reação, deve-se chamar o Serviço Médico Especializado (equipe especializada de emergência), e verificar se a respiração e pulso da vítima estão normais. Caso a vítima esteja respirando normal e com pulso, deve-se monitorá-la até a chegada da equipe especializada.

Avaliação da respiração

A falta de respiração pode ser identificada pela ausência do movimento torácico de expansão e compressão, cianose (coloração azul-roxeada da pele) do rosto, lábios e extremidades dos dedos.

A ausência de respiração pode evoluir para uma asfixia, perda de consciência (falta de oxigenação do cérebro) e parada cardiorrespiratória (parada cardíaca), podendo levar à morte.

Ao identificar a ausência de respiração, o socorrista deve:

  • verificar as vias respiratórias (boca e narinas) e desobstrui-las em caso de oclusão;
  • afrouxar as roupas do acidentado;
  • Se o acidentado, estiver inconsciente, deve-se iniciar a ventilação artificial com o uso do Ambu (equipamento) ou respiração boca-barreira (Clique aqui para mais detalhes) ;
  • Se o acidentado voltar a consciência, deve-se mantê-lo deitado e lateralizar seu corpo.
  • No caso de a parada respiratória evoluir para uma cardiorrespiratória (caso em que não há respiração, nem circulação de sangue), deve-se iniciar o procedimento de Reanimação Cardiopulmonar (RCP), também chamada de massagem cardíaca ou compressões torácicas;

Avaliação da circulação

A avaliação da circulação sanguínea deve ser feita, com brevidade, simultaneamente à verificação da respiração. Ela é realizada pela verificação do pulso, que pode ser carotídeo, radial, femoral, umeral e outros;

A ausência de pulso indica que o acidentado sofreu uma parada cardíaca, ou seja, o coração parou de bombear o sangue para as demais partes do corpo. É preciso restabelecer a circulação sanguínea o quanto antes; desta forma, o socorrista deve iniciar de imediato a procedimento de RCP ( Reanimação Cardiopulmonar).

As diretrizes para RCP são definidas pela American Heart Association (2015) e você pode obtê-las, clicando neste link .

A American Heart Association (2015) incentiva o reconhecimento imediato da ausência de resposta (na etapa de avaliação do acidentado), o acionamento do serviço médico de emergência e o início da RCP, caso o socorrista leigo encontre uma vítima que não responde, que não esteja respirando ou que não respire normalmente.

No casos de único socorrista, o mesmo deve iniciar as compressões torácicas (RCP) antes de aplicar as ventilações de resgate (diferente do procedimento apresentado no fluxograma acima). O único socorrista deve iniciar RCP com 30 compressões torácicas seguidas por duas respirações.

O RCP deve ser mantido até a equipe médica especializada chegar ao local de socorro.

Controle de Hemorragias

Além de restabelecer o batimento cardíaco, é fundamental manter o volume de sangue corpóreo, através do controle de hemorragias.

Hemorragia é toda perda de sangue através de ferimentos. Podem ser externas ou internas. Na hemorragia externa, o sangue é eliminado para fora do organismo, enquanto na hemorragia interna o sangue extravasa em uma cavidade interna do organismo.

Hemorragia não controlada pode levar a vítima a confusão mental, inconsciência, estado de choque, parada cardiorespiratória e morte.

As hemorragias externas são mais fáceis de serem identificadas e controladas. Algumas técnicas de controle de hemorragias são: curativo simples e curativo compressivo. É importante manter sempre a cabeça do acidentado em nível inferior ao ponto da hemorragia, para garantir oxigenação do cérebro.

Hemorragias internas são mais difíceis de serem identificadas, por isso, são mais preocupantes. O socorrista deve monitorar alguns sinais como:

  1. Pulso fraco e rápido
  2. Pele fria
  3. Sudorese (transpiração abundante)
  4. Palidez intensa e mucosas descoradas
  5. Sede acentuada
  6. Apreensão e medo
  7. Vertigens
  8. Náuseas
  9. Vômito de sangue
  10. Calafrios
  11. Estado de choque
  12. Confusão mental e agitação
  13. "Abdômen em tábua" (duro não compressível)
  14. Dispneia (rápida e superficial)
  15. Desmaio

Os casos de hemorragia interna devem ser atuados imediatamente por equipe especializada.

Seu quadro pode evoluir para confusão mental, inconsciência, estado de choque, parada cardiorespiratória e morte.

Cuidados com filmagens e imagens do acidentado

É muito comum curiosos ficarem filmando e divulgando as imagens do acidente e acidentado em redes sociais. Esta prática deve ser evitada como forma de respeito ao acidentado.

Deve-se estimular a ajuda, que pode ser através de isolamento da área, controle de curiosos, afastamento dos perigos, acionamento do socorro.

Lembre-se sempre em oferecer o maior conforto e qualidade de atendimento à vítima.

Chegamos ao final de mais um artigo. Nele apresentamos os principais procedimentos de primeiros socorros para garantir a vida do acidentado.

Para mais informações sobre primeiros socorros, recomendo o Manual de Primeiros Socorros da FIOCRUZ que pode ser baixado neste link

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